Buda, Peste e minha vida no dormitório da universidade

Há 4 meses cheguei em Budapest, sem nada, além do sonho de voltar.

Me alojei em um dormitório da Universidade, localizado no distrito XI de Budapest, no lado Buda.

Entrada do dormitório da Universidade Szent Istvan, em Buda Side. Somogyi Imre Kollégium.

Pra quem não sabe ainda, Budapest é dividida entre Buda e Peste.

Quem passa pelo meio é o maravilhoso Rio Danúbio, ou Duna, como chamam aqui.

O acesso entre os lados se dá pelas incríveis pontes, ou de maneira subterrânea, pelos metrôs.

à esquerda, o lado BUDA.
à direita, o lado peste.
a foto foi tirada da Citadella, localizada em BUDA.

P.s. Esta é Budapest no outono, exatamente na semana em que cheguei. Maravilhosa? Sim? Claro que sim.

Vista da ponte moderna, de Buda olhando para Peste

Voltando a minha chegada.

Confesso que a ideia de morar no dormitório me atordoava um pouco.

Afinal, eu dividiria o quarto com uma pessoa completamente estranha. Pessoa esta que dormiria exatamente ao meu lado, todos os dias.

Eis que fui alocada em um quarto com uma menina do Kosovo. Devo dizer que tive muita sorte! Minha colega de quarto era agradável.

Ainda assim, morar junto com alguém em um quarto de 7m2 é um desafio, dos grandes.

Após alguns meses, minha vontade de sair daquele lugar começou a se tornar algo sério.

Primeiro dia no dorm! A vista era incrível, não devo reclamar!

Em Buda tudo é muito verde e alto.

Cheio de colinas, acaba sendo uma área mais fria, consequentemente o volume de neve é maior!

Eu subia muitas escadas pra chegar até o prédio onde eu morava, até as salas de aulas, etc.

A primeira neve do ano foi vista através dessa janela. Você pode presenciar esse momento aqui:

Primeira neve na janela

Vou sentir saudades desta vista da Janela do Dormitório (BUDA)
Vista da Janela em PESTE

Peste é o lado urbano, velho, badalado da cidade.

Em  Peste você encontra os bares, as baladas, o clima urbano e cultural!

PESTE – Akvárium Klub. (Budapest, Hungria)
BUDA – Verde, bucólico, residencial.

Sabe, morar no dormitório tinha suas vantagens.

Eu conheci muitas pessoas legais.

Descobri um universo que eu não tinha noção alguma.

Um universo de jovens islâmicos que rezam várias vezes por dia, vestem burkas e escutam música árabe enquanto cozinham.

Estudante islâmica. Foto by Google. Achei linda!

Esses mesmos jovens islâmicos, estão longe daquele extremismo que vemos na TV.

Eles não são terroristas (tenho até vergonha de escrever isso).

São pessoas como nós, cheias de sonhos, estilos, objetivos próprios.

Essa menina é protagonista de uma séria chamada SKAM, norueguesa. Ela é do Marrocos e é imigrante em Oslo, na Noruega. Eu sou apaixonada pelos princípios dessa garota desde então. E eu via um pouco dela em cada menina islâmica que mora no dormitório.

A religião não esmaga. Muitas meninas nem usam burka por opção própria! Tudo é uma questão de escolha e crença.

Nunca vou esquecer da primeira tâmara que comi na vida, oferecida por uma menina da Tunísia.

E o dia que entrei na cozinha (compartilhada) e as meninas cozinhavam e ouviam aquele som árabe, que eu definitivamente amo.

Conheci pessoas inclusive do Curdistão, o que me remeteu as aulas de geopolítica do ensino médio, quando estudávamos a complicada questão do oriente médio.

As pessoas são muito solidárias no dormitório

Sempre estão ali para te ajudar, afinal, está todo mundo na mesma situação: com pouco dinheiro e morando em um país totalmente exótico, onde a população em si odeia imigrantes.

Vi muito amor nos jovens, dei muitas risadas, queimei muita comida naquelas malditas chapas elétricas.

Cozinhei em cozinha suja, cheirando a tempeiros bizarros. Vi o microondas queimar, pois algum perdido colocou metal pra cozinhar lá dentro.

Eu acredito que muitos ali nunca usaram um microondas na vida, sendo bem honesta.

Passei por momentos de pânico quando os chineses cozinhavam suas milhares de mini comidinhas em mini potinhos e mini panelinhas. E eles realmente cozinham TODAS as refeições do dia. O que é interessante, mas acaba enchendo o saco encontrá-los detendo o monopólio da cozinha.

Tive dificuldade de me comunicar. Muitas pessoas, na verdade, não falam inglês. Mas estão lá, tentando!

Inúmeras pessoas demonstraram um interesse enorme pelo Brasil. Me viam tomando café e queriam saber se era grão brasileiro (e não era).

O Brasil tem uma reputação muito boa por aqui, essa é a verdade. Fui muito bem acolhida!

Nota de esclarecimento: vou escrever um post mais detalhado sobre meu programa de estudos, a scholarship e quem são os países contemplados! Assim dá pra imaginar a galera que morou comigo.

Enfim, minha jornada no dormitório foi cheia de histórias que talvez eu escreva em mais detalhes aqui um dia!


O próximo post é um convite à minha casa nova. Espero vocês lá 🙂

Click da rua onde eu moro, no distrito VIII. (Edição VSCO)

Novo lar, doce lar

3 comentários em “Buda, Peste e minha vida no dormitório da universidade”

  1. Dear Lola!

    Greetings..

    I am writing this comment on your behalf while I am living in the complicated middle east as in the moment as you mentioned :).
    I feel wonderful by seeing your words, sad at the same time as I realized that you have left dormitory. It means I can’t meet you frequently like last semester, maybe we can’t find a chance to make discussions, I had a lot more to show and to tell, I hope we can find a chance to do so.

    By anyway, I have to confess that, you are one of the sweetest human beings I have ever see and I won’t forget the moments we have met neither you. We will stay in touch and navigate our friendship to grow!

    I hope you will live your best life moments in your new home and wish you a healthy, wealthy, passionate, and joyful life.

    Best regards
    Mohammed Othman AHMED

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *