Crianças como você

Crianças como você é o livro que caiu em minhas mãos nada por acaso, pois aos 5 anos eu já sabia, de alguma maneira, que eu viajaria o mundo, tentando saciar essa sede por cultura e gente.

Este livro é um tesouro editado em associação com o Unicef, através do Fundo das Nações Unidas para a Infância.
Livro Crianças como Você. UNICEF.
O livro faz uma viagem pelas diferentes culturas do mundo e mostra o cotidiano das crianças nos mais variados países.

Cada página é uma criança, em um país do mundo.

As páginas contém fotos gigantes e atrativas.

São parágrafos curiosos, linhas contam o que as crianças comem, quem são os seus pais, como elas se vestem, como é a casa, os objetos e brinquedos preferidos.

Esse livro me encanta até agora.

Já está surrado pra caramba, de tanto que viajei através daquelas páginas.
Páginas do livro Crianças como você. Página sobre o Brasil.

Eu me questionava o porquê de a criança brasileira ser índia, sendo que de fato eu nunca tinha visto um índio na vida até aquele momento.

De certa for esse livro me representa desde o primeiro contato.

Minha memória preserva flashbacks da minha primeira série, no Colégio Martinus, onde participei de um projeto sobre países e nós começamos a desbravar o livro em sala de aula.
Obviamente eu levei o livro para casa, onde as viagens de fato aconteceram.

Recordo minha indignação ao ver o status de vida das crianças de países bem pobres, como Bolívia e India.

Eu, sozinha, contestava com meu próprio coração: será que essas crianças estão felizes? Morando nessas cabanas?
Páginas do livro Crianças como você

Mas elas sorriam nas fotos. E isso de alguma forma me transportava para lá.

As bailarinas russas e as crianças do Japão eram as minhas preferidas.
Eu passava horas me imaginando por aquelas terras, sendo aquelas crianças, vestindo aqueles casacos e comendo aquelas comidas.
Crianças russas, bailarinas. Livro criança como você.

20 anos depois, eis me aqui, morando longe de casa, em outro continente, sobrevivendo a uma cultura que não é minha, mas que de certa forma é meu dever absorver e respeitar.

Eis me aqui inquieta, talvez pensando no próximo destino, talvez pensando na volta, talvez apenas viajando, como sempre.

 Crianças como você é o livro que caiu em minhas mãos nada por acaso, pois aos 5 anos de idade eu já sabia, de alguma maneira, que eu viajaria o mundo, nunca saciando essa sede por cultura e gente.
eu no mundo. neste momento, em copenhague

Quer ver o que rolou em Copenhagen? Veja este post!

Copenhagen: 1 dia na cidade mais feliz do mundo


Brunch em Budapest

Vem conhecer um pedacinho de Budapest ao som de bossa nova comigo!

Mesmo no inverno, há dias lindos e ensolarados na capital húngara 🙂

Nesse dia fomos conhecer um restaurante que serve brunch nos finais de semana – o local se chama URBAN TIGER.

O local é um espaço bem moderno, com toques clássicos da arquitetura da própria construção e detalhes em lâmpadas, luminárias e luzes mais designadas 

-a bit fancy, eu diria.

Urban Tiber – Restaurante em Budapest

Por ser localizado no coração da cidade, eu diria que o restaurante atende a um público bem turístico, mas chegando lá encontramos basicamente húngaros degustando o Brunch.

Por ser um evento especial de final de semana, acaba selecionando quem realmente conhece o lugar e acompanha os eventos!

O cardápio é bem dinâmico, colorido e apetitoso.

Brunch no Urban tiger (Foto do site do local)

Você pode comer desde ovos mexidos, granola e iogurte, à salmão e saladas.

Eu optei por essa belíssima Shakshuka 🙂

Geralmente este prato é apresentado em frigideiras de ferro, em qualquer lugar que você vá.

Shakshuka – opção para um Brunch

 

Este faz parte da culinária do Oriente Médio. Trata-se de uma base vermelha feita através de tomates, alho, cebolas. Os ovos são cozidos no próprio molho!

Achei o prato ok, nada demais, mas achei que valeu o pacote como um todo.

Aliás, tinha música ao vivo! Então com certeza valeu.

O restaurante serve outros menus durante o dia e a noite.

Os preços são barato-médios, na minha opinião.

Paguei em torno de 7EUR pelo prato + latte (Me baseando no custo de vida em Budapest)

All in all, cola lá se estiver em Budapest 🙂

 

Copenhagen: 1 dia na cidade mais feliz do mundo

Embarquei para Copenhagen sabendo que encontraria um céu cinza e gotículas caindo do céu durante a maior parte do dia.

Vista de Rundetarn, torre no centro de copenhagen
Vista de Rundetaarn, torre no centro de copenhagen

Mas a capital da Dinamarca resolveu sair da curva e fez brotar um sol lindo (que durou minutos) que fez valer a pena!

E não fui somente eu quem aproveitou bem os raios solares, mas todos os danes resolveram sair de casa sugar um pouco do que havia de sol!

dinamarqueses passeando no sábado
Família dinamarquesa em Rundetaarn

Ninguém é melhor que ninguém

Confesso que fui conhecer a cidade com expectativas normais, nem altas, nem baixas, seguindo o jeito dinamarquês de viver e pensar.

Explicando, ouvi de algumas pessoas que já moraram na Dinamarca ou conviveram com dinamarqueses, que eles são pessoas que não enxergam as pessoas como diferentes umas das outras, digo, todo mundo é igual. E mais, eles não criam expectativas com relação as coisas.

arte de robo pensando em copenhagen
Arte em Metal

Inclusive, uma prova disso é que não se vê muitas cores no vestuário dos danes, é tudo neutro e mínimo.

Esse jeito de manter expectativas baixas a respeito do que está por vir tem suas vantagens, pois assim ninguém de decepciona e todos se surpreendem se algo legal ocorre.

Não é a toa que são considerados a sociedade mais feliz do mundo.

nyhavn pessoas caminhando entre os barcos
Nyhavn, Cartão Postal da capital

Mas isso não significa que eles não dão seu melhor ao fazer alguma coisa, é justamente o contrário, os dinamarqueses se cobram muito e dão seu melhor em tudo.

A bagagem de aprendizado que os danes deixam para o mundo é muito inspiradora.

Falo isso após ter trabalhado por 1 ano e meio em uma empresa dinamarquesa, onde os valores, o jeito de produzir e conduzir projetos, tratar as pessoas, é muito, muito único.

pessoas caminhando pelo centro de copenhagen
Ruas do centro de Copenhagen

People showing off: fuck off

Mas voltando ao conceito de igualdade, você nunca vai ver um dinamarquês se gabando de algo, ressaltando suas qualidades ou algo do tipo. Você vai ter que descobrir isso sozinho, pois ele nunca vai te falar.

prédios design escandinavo em copenhagen
Traços da arquitetura nórdica em Copenhagen

Ambição elevada à níveis americanos é algo que você não encontra também. A sociedade é mais focada em aproveitar a vida social, trabalhar o mínimo de horas diárias, viver de hygge, minimalismo.

espaços imensos na capital escandinava
Minimalismo, porém imensidão

HYGGE

Hygge  é um termo escandinavo que define um estado de espírito, onde você se sente confortável, super bem, leve,  entre pessoas que você curte, sem pensar em problemas ou algo assim. Esse estado é atingido em ambientes aconchegantes, entre boa companhia e boas comidinhas. Pode ser um encontro em um café, como um jantar a luz de velas.

Alias, há muita luz de velas neste país.

Ao longo dos anos, esse termo se tornou parte da cultura dinamarquesa.

Danish mood

Reconhecendo um dinamarquês

A personalidade em geral é reservada, quieta.

Eles nunca vão iniciar a conversa com um estranho.

Nada deve ser forçado ou exagerado. Mas assim que o gelo for quebrado, eles se mostrarão pessoas super queridas contigo!

Café hipster na capital da Dinamarca – Copenhagen

A cidade é planejada para bikes, não par carros

“We bike all the time. We bike to the moon several times a year in Copenhagen,” says Schjønning.

An extraordinary 62% of people living in the city cycle to work every day and the vast majority keep it up through cold and wet weather.

“It’s not because it’s the healthy choice. It’s because it’s the easiest choice,” says Schjønning.

“The city is designed for bikes and not cars.”

Estação de trem cheia de bicicletas em copenhagen
Bicicletas em Copenhagen

Estilosos

Saindo da Hungria e voando até Copenhagen, já percebi o nível do estilo na fila do vôo. Essa galera sabe se vestir!

Minimamente, mas com presença.

E como são altos! Tão altos quanto eu, homens e mulheres.

Homem caminhando em frente ca fé em copenhagen
Paleta pastel rosa antigo no meu prédio, por favor

Curiosidadees

  • As máquinas de ticket nas estações são estranhas e expositivas. Se você valida um ticket errado, a estação inteira vai ouvir uma onomatopéia gritando o erro.
  • A juventude é liberada para comprar e beber álcool desde os 16 anos
  • Há uma incrível variedade de pessoas e culturas. Copenhagen abriga diversos imigrantes, de negros à asiáticos, eu achei isso fantástico! Aqui na Hungria não se vê nada disso (ainda).
  • Danes amam luz de velas. Estudos do Instituto de Pesquisa da Felicidade mostram que 85% das pessoas associam “HYGGE” com velas. 28% das pessoas acendem velas todos os dias

Fique com o vídeo de 1 dia em 1 minuto em Copenhagen e sinta as vibes escandinavas!

 

Il Cielo In Una Stanza / The sky in a room

A obra do momento se chama The Sky in a Room.

O artista se chama Ragnar Kjartansson é um artista contemporâneo da Islândia que eu acabei de conhecer através de um Podcast maravilhoso.

Maravilhoso pois este simples podcast me teletransportou, durante 20 minutos, para o Museu Nacional de Cardiff, no País de Gales (Reino Unido).

Ragnar Kjartansson, artista de arte contemporanea da islandia
Ragnar Kjartansson – artista islandês

Podcasts?

Eu nunca tive o hábito de ouvir podcasts, mas depois deste momento ao acaso, passei a salvar 20 minutos diários da minha rotina para ouvir um pouquinho sobre arte e cultura ao redor do mundo.

Escuto enquanto faço outras coisas, enquanto tomo café ou como alguma coisa. No passado eu faria todas essas coisas enquanto lendo um livro, lendo um blog ou algo assim.

Mas o poder da audição me pego de surpresa. Em uma rotina baseada em silêncio, telas de computador e teclados digitais, digamos que os podcasts acabam te atingindo de uma maneira diferente.

Berndnaut Smilde – holandês – The sky in a room

Onde encontrar este Podcast

Aqui está o link desta viagem artística pela obra mágica de Ragnar Kjartansson  e o compositor Gino Paoli – italiano que compôs a música Il Cielo in Una Stanza – conhecida por toda a Itália.

Monocle Radio Podcast – Art

Monocle é uma rádio/revista online britânica. Fui parar neste link por acaso, pois eu estava em busca de podcasts britânicos para dar uma aperfeiçoada no meu vocabulário em inglês.

rádio antigo para ouvir rádios
Podcast power

Mas por que estou escrevendo um post sobre isso?

Além de eu me sentir maravilhada com a qualidade do conteúdo que ouvi,  o tema me despertou uma vontade de compartilhar através de palavras e imagens o que eu senti ouvindo.

A obra de arte

De acordo com Ragnar Kjartansson, a ideia é construir uma performance musical em uma sala vazia, contendo apenas os músicos e o órgão de câmara (foto abaixo).

National Museum Cardiff no país de gales
National Museum Cardiff

Todas as obras de arte serão retiradas e a parede azul, representando o céu, permanecerá juntamente com os músicos.

Os músicos performarão a música Il Cielo in Una Stanza neste instrumento gigante do século XVIII.

A composição será repetida sucessivamente 5h por dia.

O público será atingido de maneira única, ao adentrar a sala vazia, contendo o “céu”.

Essa música já foi motivo de inspiração de muitos artistas, mas nunca foi abordada desta maneira.

The sky in a room – another artist project

Eu achei a ideia sensacional

O processo artístico é uma coisa que me desperta muito interesse. Como surgem as ideias? Em que momentos? Alguns dependem de ócio, outros precisam estar sendo constantemente injetados de conteúdo para de alguma maneira criar algo. E há outros mil caminhos.

Enfim

Senti um pouco de saudades das minhas artes!

Esse vídeo rápido é um resumo da obra:


Lyrics

Il Cielo In Una Stanza

Il Cielo In Una Stanza
Quando sei qui con me
Questa stanza non ha piú pareti
Ma alberi, alberi infiniti
Quando sei qui vicino a me
Questo soffitto viola no, non esiste più
Io vedo il cielo sopra noi che restiamo qui
Abbandonati come se non ci fosse più
Niente più niente al mondo
Suona un´armonica, mi sembra un organo
Che vibra per te e per me
Su nell´immensitá del ciel(o)
Per te e per me, nel ciel(o)

O Céu Em Um Quarto

Quando está aqui comigo
Este quarto não tem mais paredes
Mas árvores, árvores infinitas
Quando está aqui perto de mim
Este teto roxo não, não existe mais
Eu vejo o céu sobre nós que permanecemos aqui
Abandonados como se não houve mais
Nada mais nada no mundo
Toca uma gaita, eu penso que um órgão
Que vibra para ti e para mim
Sobre na imensidade do céu
Para ti e para mim, no céu


Exemplos de artistas que se inspiraram na grande obra musical, você vê aqui nesta galeria:

Berndnaut Smilde – artista holandês – the sky in a room

 

Il Cielo in una stanza / The sky in a Room
Berndnaut Smilde
Il Cielo in una stanza / The sky in a Room
Berndnaut Smilde
Il Cielo in una stanza / The sky in a Room
Berndnaut Smilde
Il Cielo in una stanza / The sky in a Room
Berndnaut Smilde

Richard Clarkson Studio

Este é um laboratório de arte e design em Brooklyn, Nova Iorque

Essa nuvem radioativa (brincadeira) está a venda inclusive 🙂 apenas 3,3k$

Obra de Richard – CLOUD

Il Cielo in una stanza / The sky in a Room
Obra de Richard Clarkson


Outra peça encontrada online

Obra de arte baseada no compositor italiano Gino - The sky in a room
Il Cielo in una stanza / The sky in a Room

As sacadas mais coloridas de Budapest no outono

sacada de prédio antigo em budapest com plantas e flores

Não tem jardim em casa? Os húngaros sabem construir um jardim na sacada do apartamento.

Quem procura fotos de Budapest no google, encontra edifícios históricos, velhos, tombados.

Poucos imaginam o universo verde escondido no lado Buda, pouco explorado pelos turistas!

A presença verde é visível inclusive nas sacadas, quando não há jardim disponível!

Esse lago é cartão postal! Mas quem disse que as pessoas encontram esse cantinho?
Church of Szentimreváros
Budapest, Villányi út 25., 1114

O lado Buda é extremamente verde! Composto por casas e poucos prédios, há árvores em praticamente todos os cantos.

Rua arborizada em Budapest, 2017

Observando o quintal do vizinho, percebi que a sociedade aqui preserva muito as plantinhas.

Essa espécie de folhas vermelhas se propaga por todas as paredes durante o outono.

Especialmente na primavera, tudo fica muito colorido, mas isso será tópico para outro post, em breve.

Ainda pelo outono o clima é agradável. Dias ensolarados ainda ocorrem com frequência. Essa vista logo abaixo é da Citadella – ponto mais alto com vista para o centro histórico e residencial.

Vista da cidade no outono. Budapest, 2017

Essas fotos são da natureza durante o outono, tudo alaranjado, vintage, é claro.

O outono na sacada. Sol ao entardecer em Budapest, 2017.

“Sacadas de Budapest”

Esse é o nome de uma coleção / álbum que preciso registrar e tornar real um dia.

O que tem de sacadas lindas aqui não é brincadeira!

Sacada dos sonhos. Budapest, 2018

Tirei essas fotos caminhando nos arredores da Universidade, dormitório no distrito 11!

Se você vai a cidade com tempo, recomendo caminhar algumas horas sem rumo pelo lado Buda, é impressionante!

Coleção de Cactus na sacada!

Clique aqui se você quer saber o porquê de Budapest ser dividida entre Buda e Peste, leia este post:

Buda, Peste e minha vida no dormitório da universidade

Eu lembro de ter uma selva na sacada de casa, durante o período da minha vida em que eu morava em um apartamento com minha família.

Mas naquela época eu nem apreciava tanto, na verdade eu ficava pensando por que tantas plantas ocupando aquele espaço.

Nossa cabeça muda! Felizmente.

Sacadinhas convidativas
Mais outono pelas paredes
Toques de outono em sua janela

 

Em resumo, os húngaros cuidam bem de suas plantinhas.

Todos os parques, jardins, quintais, ruas, são extremamente bem cuidadas no aspecto natureza!

 

Novo lar, doce lar

Há alguns meses me joguei nesse desafio de achar um quarto no centro da cidade, com todos os atributos necessários e no budget que eu poderia pagar.

Mas, encontrar um lugar pra morar, no centro de Budapest, é uma tarefa complicada.

Foram muitos apartamentos visitados até eu chegar onde me senti realmente em casa.

A começar pelos preços altos.

Com o grande fluxo de estudantes europeus indo e vindo pra Budapest, os húngaros viram uma oportunidade de negócio no ramo de aluguéis de quartos. Consequentemente, tudo ficou muito caro por aqui nos últimos anos.

Estudos mostram que os aluguéis do centro equivalem a aluguéis em países ricos da Europa, como França e Alemanha.

Se você é estudante internacional, prepare-se para a facada.

Na verdade, se você não negociar e pesquisar muito bem, você vai pagar muito além do que deveria.

Porém, esse muito além, em EUROS, pra alguém que vem da Alemanha, França, Itália, Escandinávia –  na verdade é muito menos do que eles pagam nesses países de origem.

Sabendo disso, fiz uma super varredura nos grupos de aluguéis da cidade.

Tendo meu budget em mente, foi fácil excluir muitas opções e focar naquelas mais honestas.

A próxima etapa foi fazer visitas, escrever pra diversas pessoas, me apresentar … Algumas pessoas inclusive exigiam entrevista com os flatmates!

Mas onde eu fui parar, afinal?

Em um apartamento mega antigo, é claro.

Se você quer morar no centro da capital, você tem que por seu pé no vintage, meu caro!

Apartamentos que sobreviveram a era Comunista e foram construídos até muito antes. São verdadeiros monumentos históricos. Eu, fico maravilhada até hoje, toda vez que entro em um edifício desses.

No meu caso, tive sorte. Uma família de húngaros, muito honestos (eu achei) fizeram um investimento e compraram um apartamento caído, no coração da cidade. Renovaram e anunciaram para estudantes os 5 quartos disponíveis.

Eu cheguei lá sem muita expectativa, para verificar o último quarto disponível.

Logo me senti em casa. Não havia por que não ficar!

Home, sweet home

Uns dias depois fiz minha mudança de Buda para Peste.

Foram algumas viagens de ida e volta, subindo aquela colina de Buda com a mala vazia, descendo a colina de Buda com a mala cheia.

Vamos para o tour do meu novo lar, doce Lar

Essa é a rua onde eu moro, no distrito VIII. Em 1 minuto estou nos Trams 4 e 6, que circulam pelos principais pontos da cidade. Também estou entre as duas linhas de metrô mais utilizadas. Localização perfeita!
Essa é a entrada creepy do edifício. Velha, acabada, pichada. Mas é assim que eu gosto.
Essa é a parte interna do prédio. Todos os prédios antigos da cidade tem essa área interna, lindinha!
A entrada já é um museu. Vintage, descascando, pedindo reforma. Mas não, nada de reforma por aqui, é tudo TOMBADO!
Em frente a nova casa! Dia chuvoso, típico de inverno, perfeito para se mudar? He.
Já aloquei o sofá em direção a janela e meus cafés de final de semana serão admirando essa arquitetura marcada pela história, entre guerras, comunismo e outros impérios.
Janelas gigantes, luz natural, são coisas que estavam na minha lista de prioridades. Quartos escuros são deprimentes e eu preciso de uma vista inspiradora pra seguir nessa vida.

Gostou daqui? Venha me visitar!!!!!!


beijos do distrito 8 :*

Buda, Peste e minha vida no dormitório da universidade

Buda, Peste e minha vida no dormitório da universidade

Há 4 meses cheguei em Budapest, sem nada, além do sonho de voltar.

Me alojei em um dormitório da Universidade, localizado no distrito XI de Budapest, no lado Buda.

Entrada do dormitório da Universidade Szent Istvan, em Buda Side. Somogyi Imre Kollégium.

Pra quem não sabe ainda, Budapest é dividida entre Buda e Peste.

Quem passa pelo meio é o maravilhoso Rio Danúbio, ou Duna, como chamam aqui.

O acesso entre os lados se dá pelas incríveis pontes, ou de maneira subterrânea, pelos metrôs.

à esquerda, o lado BUDA.
à direita, o lado peste.
a foto foi tirada da Citadella, localizada em BUDA.

P.s. Esta é Budapest no outono, exatamente na semana em que cheguei. Maravilhosa? Sim? Claro que sim.

Vista da ponte moderna, de Buda olhando para Peste

Voltando a minha chegada.

Confesso que a ideia de morar no dormitório me atordoava um pouco.

Afinal, eu dividiria o quarto com uma pessoa completamente estranha. Pessoa esta que dormiria exatamente ao meu lado, todos os dias.

Eis que fui alocada em um quarto com uma menina do Kosovo. Devo dizer que tive muita sorte! Minha colega de quarto era agradável.

Ainda assim, morar junto com alguém em um quarto de 7m2 é um desafio, dos grandes.

Após alguns meses, minha vontade de sair daquele lugar começou a se tornar algo sério.

Primeiro dia no dorm! A vista era incrível, não devo reclamar!

Em Buda tudo é muito verde e alto.

Cheio de colinas, acaba sendo uma área mais fria, consequentemente o volume de neve é maior!

Eu subia muitas escadas pra chegar até o prédio onde eu morava, até as salas de aulas, etc.

A primeira neve do ano foi vista através dessa janela. Você pode presenciar esse momento aqui:

Primeira neve na janela

Vou sentir saudades desta vista da Janela do Dormitório (BUDA)
Vista da Janela em PESTE

Peste é o lado urbano, velho, badalado da cidade.

Em  Peste você encontra os bares, as baladas, o clima urbano e cultural!

PESTE – Akvárium Klub. (Budapest, Hungria)
BUDA – Verde, bucólico, residencial.

Sabe, morar no dormitório tinha suas vantagens.

Eu conheci muitas pessoas legais.

Descobri um universo que eu não tinha noção alguma.

Um universo de jovens islâmicos que rezam várias vezes por dia, vestem burkas e escutam música árabe enquanto cozinham.

Estudante islâmica. Foto by Google. Achei linda!

Esses mesmos jovens islâmicos, estão longe daquele extremismo que vemos na TV.

Eles não são terroristas (tenho até vergonha de escrever isso).

São pessoas como nós, cheias de sonhos, estilos, objetivos próprios.

Essa menina é protagonista de uma séria chamada SKAM, norueguesa. Ela é do Marrocos e é imigrante em Oslo, na Noruega. Eu sou apaixonada pelos princípios dessa garota desde então. E eu via um pouco dela em cada menina islâmica que mora no dormitório.

A religião não esmaga. Muitas meninas nem usam burka por opção própria! Tudo é uma questão de escolha e crença.

Nunca vou esquecer da primeira tâmara que comi na vida, oferecida por uma menina da Tunísia.

E o dia que entrei na cozinha (compartilhada) e as meninas cozinhavam e ouviam aquele som árabe, que eu definitivamente amo.

Conheci pessoas inclusive do Curdistão, o que me remeteu as aulas de geopolítica do ensino médio, quando estudávamos a complicada questão do oriente médio.

As pessoas são muito solidárias no dormitório

Sempre estão ali para te ajudar, afinal, está todo mundo na mesma situação: com pouco dinheiro e morando em um país totalmente exótico, onde a população em si odeia imigrantes.

Vi muito amor nos jovens, dei muitas risadas, queimei muita comida naquelas malditas chapas elétricas.

Cozinhei em cozinha suja, cheirando a tempeiros bizarros. Vi o microondas queimar, pois algum perdido colocou metal pra cozinhar lá dentro.

Eu acredito que muitos ali nunca usaram um microondas na vida, sendo bem honesta.

Passei por momentos de pânico quando os chineses cozinhavam suas milhares de mini comidinhas em mini potinhos e mini panelinhas. E eles realmente cozinham TODAS as refeições do dia. O que é interessante, mas acaba enchendo o saco encontrá-los detendo o monopólio da cozinha.

Tive dificuldade de me comunicar. Muitas pessoas, na verdade, não falam inglês. Mas estão lá, tentando!

Inúmeras pessoas demonstraram um interesse enorme pelo Brasil. Me viam tomando café e queriam saber se era grão brasileiro (e não era).

O Brasil tem uma reputação muito boa por aqui, essa é a verdade. Fui muito bem acolhida!

Nota de esclarecimento: vou escrever um post mais detalhado sobre meu programa de estudos, a scholarship e quem são os países contemplados! Assim dá pra imaginar a galera que morou comigo.

Enfim, minha jornada no dormitório foi cheia de histórias que talvez eu escreva em mais detalhes aqui um dia!


O próximo post é um convite à minha casa nova. Espero vocês lá 🙂

Click da rua onde eu moro, no distrito VIII. (Edição VSCO)

Novo lar, doce lar

Os Meninos da Rua Paulo

A Pál utcai fiúk – Os meninos da Rua Paulo, em húngaro.

Escrevo em um domingo frio, enquanto neva lá fora.

Meu almoço está assando no forno e enquanto isso, eu estou aqui descobrindo o que há para se fazer ao redor do meu novo endereço, no distrito VIII de Budapest.

Click da rua onde eu moro, no distrito VIII. (Edição VSCO)

Me mudei há exatamente 1 semana e pelas breves caminhadas ao redor, pude perceber que há muitos lugarzinhos a serem desbravados.

Esquinas, edifícios, porões, cafés, restaurantinhos, bares, etc.

Em frente a nova casa!

Mas esse não é o foco deste post.

Na verdade, já faz um tempão que eu não crio coragem e arranjo tempo para atualizar meu blog, mas algo me impulsionou de maneira única hoje.

Divagando no aplicativo Foursquare, eis que encontro um ponto a ser visitado.

Um lugar chamado Pál utcai fiúk szobra.

Curiosa, clico no destino e descubro algumas fotos de escultura de meninos. Mais adiante, leio os comentários a respeito.

Em 3 segundos dou um grito de alegria.

Oh meu deus, essas são esculturas dos MENINOS DA RUA PAULO!

Escultura dos Meninos da Rua Paulo, na Práter utca 11.

Os Meninos da Rua Paulo é um livro maravilhoso que marcou minha adolescência.

Recomendado pela Professora Rosi e a Roda de Leitura “Conversa entre amigos”, esse romance foi escrito por um Escritor Húngaro, Ferenc Molnár. E eu não me lembrava disso.

Recorrendo ao Wikipédia, acabo de descobrir que Os meninos da Rua Paulo é considerado o livro húngaro mais conhecido ao redor do mundo, tendo sido adaptado para o cinema em diversas línguas!

Capa do livro “Os meninos da Rua Paulo”, escrito pelo húngaro Ferenc Molnár

Ainda estou em choque. Nostálgica.

Lembro muito bem de ler o livro por completo em dois dias.

A história se baseia na vida dos meninos que travam batalhas de vida ou morte nas ruas de Budapeste, no final do século XIX.
Não há idade certa para ler esse livro, pois tanto um jovem quando um adulto mais vivido vai se encantar com essas páginas tão bem escritas.
Interpretações literárias dizem que o enredo alveja o público adulto para denunciar a falta de espaço para jovens na sociedade, e a violência psicológica que os meninos sofreram pelo “sistema de guerra” vivido no contexto histórico.
Personagens do Filme – reprodução do livro – OS MENINOS DA RUA PAULO
Publicado em 1907, este livro projetou mundialmente o húngaro Ferenc Molnár (1878-1952).

A popularidade internacional se intensificou por ser uma história não só metafórica em relação a transição a vida adulta, como também por ser considerada uma narrativa que poderia ter acontecido em qualquer lugar do mundo. 

Personagens do Filme – reprodução do livro – OS MENINOS DA RUA PAULO

No Brasil, a edição da Coleção Saraiva é a que deu mais visibilidade para o livro. Em 2005, a editora Cosac Naify relançou a obra. Posteriormente, em 2017, a Companhia das Letras, após comprar os direitos da Cosac, reeditou a obra (Wikipédia, 2018).

Sobre a Rua Paulo

O fato é que eu moro há algumas quadras desse endereço histórico e estou extremamente feliz por isso.

A rua paulo!

Era isso o que eu tinha para compartilhar hoje, uma pequena homenagem ao Escritor e a Professora Rosi, querida mestre que me mostrou o mundo literário de maneira única.


Beijos da Rua Paulo!

Retrospectiva 2017

pronto para a lola retrospectiva 2017?

seja feliz, vá para a ilha do mel

2017 começou na ilha.

em uma noite extremamente quente, o mar balançava, o céu estava claro e as pessoas celebravam entre garrafas e fogueiras espalhadas pela praia do farol.

ano novo na ilha do mel é a melhor coisa que você pode imaginar para si mesmo (fica a dica)

Peripécias na ilha

depois veio a despedida.

1 mês depois daquela virada nasceu um relacionamento a distância que durou 6 meses, até eu embarcar para a Polônia.

mas não vou me precipitar com as histórias. nesse meio tempo muita coisa aconteceu!

passei por um período nebulosíssimo. como nunca antes visto. 

eu me considero uma pessoa de sorte. as coisas sempre deram muito certo pra mim durante a vida, não tenho o que reclamar,

mas pela primeira vez na vida, parece que tudo começou a desmoronar.

o primeiro desastre foi chegar na prova do IELTS e ser recebida com um

“sorry, você está atrasada”

a próxima cena sou eu largada na sarjeta chorando em frente ao prédio da cultura inglesa e meus 800 reais no lixo.

os próximos fatos se resumem a carro estragado, assalto e roubo da lente da minha câmera enquanto eu fazia um ensaio no meio do mato.

também tive problemas em casa e recebi uma rejeição escrota de uma universidade que eu tinha aplicado com muita confiança.

coisas menores aconteceram, até eu receber ajuda espiritual e me limpar por completo.

Por do Sol no SkyBar

hoje eu vejo que aquele período foi necessário para eu aprender a respeitar o fluxo de energias que há entre nós.

hoje eu sei que é preciso sim selecionar as pessoas com quem você anda, os ambientes que você frequenta e, principalmente, seus próprios pensamentos.

hoje quando estou na beira de uma bad, faço um grande esforço mental para pensar positivo e expulsar a negatividade. e como isso tem me ajudado!

mas nem tudo são bads, vamos a parte boa de 2017!

após anos massivos de puro sofrimento e desilusões, me formei em engenharia de bioprocessos e biotecnologia.

logo após eu ter perdido a prova do IELTS, eu agendei uma nova prova, paguei mais 800 reais e deu boa.

(essa prova é pré requisito para estudar fora, meu principal objetivo até então)

já tinha desconsiderado ir pra dinamarca e pra holanda. só restava budapest me abrir uma porta.

e obviamente budapest não me deixou na mão.

Cidade nebulosa, enigmática e única – Budapest

na minha última semana de estágio na Novozymes, eu recebi uma carta de boas vindas de uma universidade húngara.

em primeiro momento eu não sabia se aceitava ou rejeitava, pois a universidade não é tão boa, a bolsa de estudos é bem pobre e o mestrado não é bem o que eu quero para o meu futuro.

Szent Istvan University campus

mas é budapest, a cidade que mais me fez feliz nessa vida.

mesmo que fosse para passar fome, eu passaria fome na europa, não no brasil.

amém. eu aceitei a bolsa e de lá pra cá foram 2 meses de despedidas e guloseimas brasileiras.

foi muito difícil pra mim deixar minha mãe. somos melhores amigas desde sempre.

e a família, os amigos, os gatos, o mamão toda manhã.

ah, o mamão.

chorei a viagem toda até o desembarque.

eu cheguei em budapest sem nada.

e desde então me sinto muito renovada.

viva o desapego e as novas oportunidades!

e o estar no lugar certo, na hora certa.

conheci pessoas incríveis no dormitório.

africanos e árabes que quebraram minha completa ignorância a respeito desses países.

Meu mini quarto no dormitório da universidade

no meu segundo dia em budapest fiz uma entrevista e consegui um freela como blogger, na segunda semana fui promovida.

se eu tô me sentindo blue, eu saio caminhar sem rumo.

atravesso pontes, acompanho o danúbio.

sem nem cogitar me sentir insegura.

aquela ambição por um trabalho cool na área que eu queria, em um ambiente empreendedor/inovador, me manteve a procura de algo a mais.

em janeiro eu começo a trabalhar em uma start-up finlandesa, em um escritório onde cachorros e humanos dividem o mesmo espaço.

enfim, o ano tá acabando com chave de ouro e aos cuidados poloneses – muita comida e amor.

Gatinho fofo que mora em um café em Szentendre

espero que 2018 seja tão bom quanto 2017!

um brinde a nós.

 

15 Tradições natalinas da Polônia

Hoje é dia 24 de dezembro de 2017 e eu estou impressionada com a quantidade de tradições natalinas na Polônia.

Longe do Brasil, este é meu primeiro natal aqui e vou experienciar um pouquinho de tudo!

Sentei na poltrona do papai noel polaco

1) Os preparativos começam 1 semana antes. O primeiro passo é aquele faxinão na casa!

2) A tradição é servir 12 pratos na ceia de natal, representando os 12 apóstolos de Jesus Cristo. Então pense, não se faz 12 pratos em um dia, mas em vários dias trabalhando forte na cozinha.

3) Na Polônia, são 3 dias de feriado: 24, 25 e 26. Esse é o feriado preferido da sociedade polaca.

4) O dia 24 é um dia de ‘respeito’, então não se come carne, nem bebe-se álcool.

5) No dia 24, as famílias mais conservadores fazem jejum até o final do dia.

6) O primeiro prato é servido quando a primeira estrela é vista no céu! No inverno europeu, já é noite as 4pm, então é nessa hora que o jantar é iniciado. (Com o clima nebuloso e chuvoso da Polônia, me apavora a ideia de esperar uma estrela no céu até poder comer alguma coisa).

7) Raminhos de palha são colocados embaixo da toalha de mesa, para lembrar as pessoas que o menino Jesus nasceu na manjedoura.

feno da majedoura de jesus
Raminhos de palha (feno) são adicionados embaixo da toalha na ceia de natal, representando a manjedoura do menino Jesus!

8) Um prato vazio é adicionado a mesa, caso um visitante inesperado bata a porta pedindo abrigo na noite de natal. Em algumas casas esse prato representa antepassados que já partiram (creepy?)

Prato vazio na mesa caso alguém bata a sua porta na ceia de natal na Polônia.

9) Tomar óstia, ou dividir o opłatek, é uma tradição forte na ceia. Cada membro pega um pedaçinho de óstia. Se há animais na casa, eles também recebem um pedacito!

Opłatek é um pedaço de óstia dividido na ceia de natal polonesa

10) Um dos pratos mais importantes da ceia é a sopa de beterrada (barszcz) ou sopa de cogumelo, se você não curte a primeira. Essa sopa é símbolo do natal, de acordo com a Senhora Kolaczkowski. São adicionados pedacinhos de massa remanescentes do pierogi!

Sopa de beterraba e sopa de cogumelos – tradição de natal na Polônia.

11) Carpa é o prato principal depois da sopa. Como não se come carne vermelha, o peixe acaba sendo a alternativa para a ceia. No passado as carpas eram compradas vivas e mantidas nas banheiras das casas, até o dia da ceia. Hoje são compradas prontas no supermercado.

12) Bigos é um prato feito de repolho fermentado e bacon. é servido no dia 25 e 26, já que tem carne. Mas esse prato é feito 1 semana antes! Pois a cada dia que passa o sabor é maturado 🙂

Bigos: prato tradicional polonês (Chucrute e bacon)

13) O prato doce essencial na mesa é feito de sementes de papoula. Uma paixão nacional – MAK!

Cheesecake de semente de papoula

14) Depois do jantar, a meia noite, os polacos vão para a igreja assistir a missa do galo à meia noite (Pasterka em polaco)

15) Algumas pessoas dizem que à meia noite os animais falam.

Essas são as tradições mais comuns que encontrei por aqui. Deve haver muito mais!

Um feliz natal a todos! <3