Crianças como você

Crianças como você é o livro que caiu em minhas mãos nada por acaso, pois aos 5 anos eu já sabia, de alguma maneira, que eu viajaria o mundo, tentando saciar essa sede por cultura e gente.

Este livro é um tesouro editado em associação com o Unicef, através do Fundo das Nações Unidas para a Infância.
Livro Crianças como Você. UNICEF.
O livro faz uma viagem pelas diferentes culturas do mundo e mostra o cotidiano das crianças nos mais variados países.

Cada página é uma criança, em um país do mundo.

As páginas contém fotos gigantes e atrativas.

São parágrafos curiosos, linhas contam o que as crianças comem, quem são os seus pais, como elas se vestem, como é a casa, os objetos e brinquedos preferidos.

Esse livro me encanta até agora.

Já está surrado pra caramba, de tanto que viajei através daquelas páginas.
Páginas do livro Crianças como você. Página sobre o Brasil.

Eu me questionava o porquê de a criança brasileira ser índia, sendo que de fato eu nunca tinha visto um índio na vida até aquele momento.

De certa for esse livro me representa desde o primeiro contato.

Minha memória preserva flashbacks da minha primeira série, no Colégio Martinus, onde participei de um projeto sobre países e nós começamos a desbravar o livro em sala de aula.
Obviamente eu levei o livro para casa, onde as viagens de fato aconteceram.

Recordo minha indignação ao ver o status de vida das crianças de países bem pobres, como Bolívia e India.

Eu, sozinha, contestava com meu próprio coração: será que essas crianças estão felizes? Morando nessas cabanas?
Páginas do livro Crianças como você

Mas elas sorriam nas fotos. E isso de alguma forma me transportava para lá.

As bailarinas russas e as crianças do Japão eram as minhas preferidas.
Eu passava horas me imaginando por aquelas terras, sendo aquelas crianças, vestindo aqueles casacos e comendo aquelas comidas.
Crianças russas, bailarinas. Livro criança como você.

20 anos depois, eis me aqui, morando longe de casa, em outro continente, sobrevivendo a uma cultura que não é minha, mas que de certa forma é meu dever absorver e respeitar.

Eis me aqui inquieta, talvez pensando no próximo destino, talvez pensando na volta, talvez apenas viajando, como sempre.

 Crianças como você é o livro que caiu em minhas mãos nada por acaso, pois aos 5 anos de idade eu já sabia, de alguma maneira, que eu viajaria o mundo, nunca saciando essa sede por cultura e gente.
eu no mundo. neste momento, em copenhague

Quer ver o que rolou em Copenhagen? Veja este post!

Copenhagen: 1 dia na cidade mais feliz do mundo


Retrospectiva 2017

pronto para a lola retrospectiva 2017?

seja feliz, vá para a ilha do mel

2017 começou na ilha.

em uma noite extremamente quente, o mar balançava, o céu estava claro e as pessoas celebravam entre garrafas e fogueiras espalhadas pela praia do farol.

ano novo na ilha do mel é a melhor coisa que você pode imaginar para si mesmo (fica a dica)

Peripécias na ilha

depois veio a despedida.

1 mês depois daquela virada nasceu um relacionamento a distância que durou 6 meses, até eu embarcar para a Polônia.

mas não vou me precipitar com as histórias. nesse meio tempo muita coisa aconteceu!

passei por um período nebulosíssimo. como nunca antes visto. 

eu me considero uma pessoa de sorte. as coisas sempre deram muito certo pra mim durante a vida, não tenho o que reclamar,

mas pela primeira vez na vida, parece que tudo começou a desmoronar.

o primeiro desastre foi chegar na prova do IELTS e ser recebida com um

“sorry, você está atrasada”

a próxima cena sou eu largada na sarjeta chorando em frente ao prédio da cultura inglesa e meus 800 reais no lixo.

os próximos fatos se resumem a carro estragado, assalto e roubo da lente da minha câmera enquanto eu fazia um ensaio no meio do mato.

também tive problemas em casa e recebi uma rejeição escrota de uma universidade que eu tinha aplicado com muita confiança.

coisas menores aconteceram, até eu receber ajuda espiritual e me limpar por completo.

Por do Sol no SkyBar

hoje eu vejo que aquele período foi necessário para eu aprender a respeitar o fluxo de energias que há entre nós.

hoje eu sei que é preciso sim selecionar as pessoas com quem você anda, os ambientes que você frequenta e, principalmente, seus próprios pensamentos.

hoje quando estou na beira de uma bad, faço um grande esforço mental para pensar positivo e expulsar a negatividade. e como isso tem me ajudado!

mas nem tudo são bads, vamos a parte boa de 2017!

após anos massivos de puro sofrimento e desilusões, me formei em engenharia de bioprocessos e biotecnologia.

logo após eu ter perdido a prova do IELTS, eu agendei uma nova prova, paguei mais 800 reais e deu boa.

(essa prova é pré requisito para estudar fora, meu principal objetivo até então)

já tinha desconsiderado ir pra dinamarca e pra holanda. só restava budapest me abrir uma porta.

e obviamente budapest não me deixou na mão.

Cidade nebulosa, enigmática e única – Budapest

na minha última semana de estágio na Novozymes, eu recebi uma carta de boas vindas de uma universidade húngara.

em primeiro momento eu não sabia se aceitava ou rejeitava, pois a universidade não é tão boa, a bolsa de estudos é bem pobre e o mestrado não é bem o que eu quero para o meu futuro.

Szent Istvan University campus

mas é budapest, a cidade que mais me fez feliz nessa vida.

mesmo que fosse para passar fome, eu passaria fome na europa, não no brasil.

amém. eu aceitei a bolsa e de lá pra cá foram 2 meses de despedidas e guloseimas brasileiras.

foi muito difícil pra mim deixar minha mãe. somos melhores amigas desde sempre.

e a família, os amigos, os gatos, o mamão toda manhã.

ah, o mamão.

chorei a viagem toda até o desembarque.

eu cheguei em budapest sem nada.

e desde então me sinto muito renovada.

viva o desapego e as novas oportunidades!

e o estar no lugar certo, na hora certa.

conheci pessoas incríveis no dormitório.

africanos e árabes que quebraram minha completa ignorância a respeito desses países.

Meu mini quarto no dormitório da universidade

no meu segundo dia em budapest fiz uma entrevista e consegui um freela como blogger, na segunda semana fui promovida.

se eu tô me sentindo blue, eu saio caminhar sem rumo.

atravesso pontes, acompanho o danúbio.

sem nem cogitar me sentir insegura.

aquela ambição por um trabalho cool na área que eu queria, em um ambiente empreendedor/inovador, me manteve a procura de algo a mais.

em janeiro eu começo a trabalhar em uma start-up finlandesa, em um escritório onde cachorros e humanos dividem o mesmo espaço.

enfim, o ano tá acabando com chave de ouro e aos cuidados poloneses – muita comida e amor.

Gatinho fofo que mora em um café em Szentendre

espero que 2018 seja tão bom quanto 2017!

um brinde a nós.

 

Diário de bordo: Curitiba > Varsóvia

Segunda-feira deixei Curitiba chorando (minha partida).

Chegando em Brasília, despencaram mais gotinhas.

Em Lisboa o sol sorria, mas aterrissando em Varsóvia o clima já era de chuva novamente.

Hoje é sexta. Ainda chove.

Percepções durante as conexões

Na segunda-feira de manhã, o Aeroporto Afonso Pena (aeroporto internacional de Curitiba) estava cheio. Cheio de executivos voando para SP, RJ, Brasília.

Eu apenas chorava e observava.

Ao entrar no primeiro voo (CWB > Brasília) me vi diante de uma tripulação 90% masculina. Ora, mas somente homens voando para Brasília?

Em Brasília sentei por 6h, escrevi um texto para concorrer uma vaga de emprego em Budapest (meu atual trabalho aqui), revi um brasileiro húngaro querido no aeroporto e esperei até o meu vôo para Lisboa decolar.

Não sei se o problema sou eu, mas eu não entendia nada do português de Portugal dos comissários, então as únicas coisas que aceitei beber durante essas próximas horas foram suco de tomate e vinho português (tomate e vinho por favor).

Eu tinha esquecido como suco de tomate é uma coisa dos deuses.

Um verdadeiro alimento em forma de bebida. Por sinal, é aquela bebida que você passa apreciar quando está ficando velho.

Descer no aeroporto de Lisboa foi uma explosão de nostalgia.

Minha conexão de ida e volta de Budapest, há 3 anos, ocorreram neste mesmo aeroporto. Não havia a pequenita Jessica ao meu lado desta vez. Tentei encontrar aquele cantinho onde sentamos e comemos Pastelzinho de Belém pela primeira vez, mas sumiu? desapareceu? ou eu estava tão cansada que me perdi e não tiver forças de desbravar aqueles túneis?

Logo fui para o embarque Lisboa > Varsóvia

Ora ora ora pois uma sala repleta de cabeças loiras, falantes, bonitas.

Muitas vovós.

Sabe aquelas vovózinhas com cabeça branca, carinha fofa e óculos gigantes?

Pois muitas delas voltavam de uma excursão para Portugal e iluminavam o embarque de volta para Polônia.

A alegria era tanta que a aterrissagem em Varsóvia foi seguida de palminhas e uhus por toda a aeronave.

A esse ponto já chovia novamente.

E o frio tomava outras proporções.

Catei meus 64kg de bagagem e fui ao encontro do polaco que eu não via há 7 meses.


Leia o próximo post: A CHEGADA EM KOLUSZKI

Interior da Polônia no outono. Arredores de Koluszki.

beijos de despedida /  chegada / novidades!